Filho do acaso sou,
Cada desejo ou vontade,
Nasce em mim como aborto
Poderia ser eu como os outros,
Mas esse cansaço que me invade,
Faz-me pensar... E nada restou!
Comumente tenho essas "crises antissociais".
Algo do tipo que, se eu pudesse expressar em palavras,
seria um desmaio, não do corpo, mas da alma.
Vem, enche meu peito hipotético, alaga meus sentidos
não como algo ruim, mas como um recarregar de vida.
A solidão sempre me foi um porto seguro, uma ótima companhia.
A humanidade pesa-me a consciência,
que isolar-se chega-me como obrigação
Mas em meditação percebo toda ilusão.
Poeira de estrelas sou, já diria a ciência.
Não consigo ao menos amarrar os cadarços,
coisa tão simples e cotidiana, sem pensar.
Pensar em todos os problemas do mundo, da vida...
Penso em tudo naquele momento, menos em coisa
que se limite a somente enlaçar cadarços.
Vivo o paralelo entre coisas que são pensamentos,
mas que parecem sonhos e coisas que
parecem sonhos mas que são mundo real.
É tão difícil me achar, posso está aqui
mas posso também já não estar mais.
Por isso as vezes me pego a escrever.
Escrever, é-me como fotografar a alma,
registrando Eus que hoje já não são mais.
Cada dia que passa,
cada garota especial que,
em meu coração presente se faça,
tenho a triste e inevitável certeza que,
acabei por casar com a própria solidão.